domingo, 10 de abril de 2011

O azul que sumiu do céu


Inspirada no desenho animado Rio, a coluna O nome dos bichos traz informações sobre a ararinha-azul, ave brasileira que desapareceu da natureza

Por: Henrique Caldeira Costa, Museu de Zoologia João Moojen, Universidade Federal de Viçosa
Uma ave pequena, com menos de 60 centímetros, bico negro, corpo coberto por penas azuis e cabeça com penas acinzentadas. Essa é a ararinha-azul. Agora tente imaginá-la voando por aí. Que beleza deve ser, não é mesmo? Infelizmente, é só isso que podemos fazer agora, ou, no máximo, encontrar alguma foto ou vídeo raro desse momento. Afinal, a natureza perdeu essa espécie, personagem principal do desenho animado Rio, que chega neste mês aos cinemas.

O filme Rio, que chega aos cinemas este mês, conta a estória de Blu, um macho de ararinha-azul que vive em cativeiro nos Estados Unidos, e nunca aprendeu a voar. Na tentativa de ajudar a salvar a espécie, Blu é trazido para o Brasil para encontrar uma fêmea, Jade. Os dois acabam sendo sequestrados por traficantes de animais e juntos vão passar por muitas aventuras!




Da Bahia para a Alemanha

Em 1819, enquanto viajava pela Bahia com seu colega Carl F. P. von Martius, o pesquisador alemão Johann Baptist von Spix encontrou um exemplar de ararinha-azul. Na época, a ciência ainda não tinha batizado esta espécie, e Spix não percebeu que se tratava de uma arara diferente das outras. Ele pensava que havia encontrado um indivíduo da arara-azul-grande.

Alguns anos depois, o cientista Johann Georg Wagler passou a estudar o material que Spix levou para a Alemanha após sua viagem pelo Brasil. Lá, Wagler percebeu que a arara encontrada por Spix na Bahia era uma espécie nova, e então a descreveu em um trabalho científico.

Hoje, a ararinha-azul é conhecida pelos pesquisadores como Cyanopsitta spixii. O nome do gênero (Cyanopsitta) significa “papagaio azul-escuro” em grego, enquanto o nome específico (spixii) é uma homenagem de Wagler ao amigo Spix.
Raridade

Desde a viagem de Spix pelo Brasil, poucos foram os registros de Cyanopsitta spixii. Durante algumas décadas, ninguém a viu na natureza, até que três indivíduos foram reencontrados em 1986. Em 1990, o último exemplar foi visto e passou a ser acompanhado, até desaparecer em 2000. A destruição das matas às margens dos riachos da região onde a ararinha-azul vivia e o tráfico de animais silvestres foram os principais responsáveis pela extinção desta espécie na natureza.

Um pouco de esperança

A ararinha-azul desapareceu da natureza, mas ainda não foi extinta. Restam aproximadamente 80 indivíduos da espécie criados em cativeiro, como parte de um programa de conservação realizado em vários países. Com o nascimento de filhotes, espera-se que aos poucos a população da ararinha aumente, e que, no futuro, a espécie possa ser reintroduzida em seu habitat natural. Se isso ocorrer, nosso céu voltará a ficar mais azul.
Henrique Caldeira Costa
Museu de Zoologia João Moojen
Universidade Federal de Viçosa
fonte:http://chc.cienciahoje.uol.com.br/

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